Ouça os episódios do podcast HISTÓRIAS DE NINAR PARA GAROTAS REBELDES. Serão 11 histórias narradas por vozes de mulheres inspiradoras.
A cada 15 dias, um episódio novo pra você.

#MulheresPraFrente

SER MULHER É ser mãe, filha, profissional, atleta, dona de casa, estudante, esposa. Ser mulher é FAZER ESCOLHAS e seguir em frente, CONSTRUINDO O PRÓPRIO CAMINHO.

XAN RAVELLI APRESENTA:

Um vídeo a cada semana com mulheres que conciliam a maternidade e o cuidado pessoal.

Cofundadora do núcleo Think Eva e diretora de projetos da ONG Think Olga, Nana Lima é uma empoderadora de mulheres.

Meu primeiro Dia das Mães

"O que eu gostaria para meu primeiro Dia das Mães é que todos parassem de romantizar essa "maternidade propaganda de margarina"

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O próximo dia 13 será o meu primeiro Dia das Mães como protagonista dessa data. São apenas três meses dentro desse universo, vivendo diariamente o maior amor - e o maior cansaço - do mundo. Aproveitei a proximidade da data para refletir um pouco sobre essa experiência e a maneira como enxergamos e lidamos com a maternidade.

Ser mãe é algo apaixonante. Gerar uma vida e vê-la crescendo, formando uma personalidade, é um privilégio difícil de descrever. Mas toda a imensidão desse sentimento não ameniza a dificuldade e o julgamento que as mães ainda são obrigadas a aguentar diariamente de parentes, familiares e até de completos desconhecidos.

Cresci vendo imagens românticas sobre a maternidade e acreditei (até me tornar mãe) que se tratava de uma experiência homogênea para todas as mulheres. Achava que assim que o bebê nascesse eu seria teletransportada a um mundo de felicidade e realização pessoal. Não é bem assim.

Cada experiência dentro da maternidade é única e tem muito mais a ver com entrega do que com controle e expectativas, como somos ensinadas. Existem mães que amamentam e mães que não amamentam. Mães que têm babás e mães que optam pelo berçário ou avós. Mães que não veem a hora de voltar ao trabalho e mães que não querem se separar do bebê. E existem mulheres que não querem ser mães. E tudo bem. Devemos respeitar e nunca julgar essas escolhas.

É nessa diversidade de olhares e métodos que mora a verdadeira riqueza da maternidade. Nada é mais empoderador do que entender todos os ingredientes disponíveis para fazer a sua própria receita. Confiar no seu instinto e agir como ele manda.

Se aceitamos que as crianças são diferentes entre elas, por que exigimos que todas as mães atuem da mesma forma?

A única coisa em comum em todas as mães que conheço é a culpa materna. Não importa qual decisão ela tome, a culpa sempre está lá. Como sociedade, devemos refletir se estamos empoderando essas mulheres para que sempre estejam emocionalmente disponíveis para seus filhos ou se estamos contribuindo ainda mais com essa culpa.

É muito fácil dar pitaco e julgar a maternidade alheia. Se a mãe deixa os filhos com o marido e vai praticar algum esporte, ela é muito vaidosa. Se ela fica em casa e não pratica atividade física (além de todo o corre-corre diário atrás de uma criança), ela é desleixada. Se ela decidiu voltar a trabalhar ou estudar, ela é muito egoísta. Se ela fica em casa cuidando dos filhos, ela não tem ambição. A lista de exemplos é extensa e, com certeza, você que é mãe e está lendo esse texto poderia contribuir com outros exemplos de suas próprias experiências.

Na próxima vez que encontrar sua colega ou amiga-mãe no Happy Hour, não pergunte a ela quem ficou com a criança ou como que ela aguenta ficar longe do filho. Com certeza a criança está com alguém de confiança e tudo o que a sua amiga quer é se divertir e aproveitar outras coisas boas da vida além da maternidade.

Uma sociedade mais equitativa é uma sociedade mais saudável para todos. Oferecer mais opções e menos julgamento às mulheres, principalmente às mães, é algo crucial para que sigamos avançando.

O que eu gostaria para meu primeiro Dia das Mães é que todos parassem de romantizar essa “maternidade propaganda de margarina” e se dedicassem a diminuir o sentimento de culpa que todas as mulheres adotam ao se tornarem mães.

Afinal, falar sobre maternidade é pensar nas próximas gerações e no futuro da nossa sociedade.